Akron/Family @ Resfest

27 05 2007

Puft, sumimos de novo.

Seria cômodo dizer que não havia nada de tão relevante a ser comentado aqui, mas simplesmente não é verdade. É sempre válido, aliás, desconfiar de quem escreve sobre rock e fala asneiras desse gênero. Música de qualidade é artigo raro, mas que está sempre sendo produzido por aí. O tempo para escrever é que anda cada vez mais escasso…

Sem mais delongas, um video do ótimo show que o Akron/Family fez no Resfest, há uma semana, aqui em SP. Diversão e pajelança de primeira. Foi quase tão bom quanto o show do Animal Collective que vi no Coachella de 2006.

Assista: Akron/Family @ Resfest SP (2007 05 22)





Supercordas e Telepatas @ Studio SP

28 01 2007

Os shows aconteceram na última sexta, e ambos foram bons. Não registrei muita coisa, mas seguem algumas fotos e um video.

Assista: Supercordas - Ruradélica @ Studio SP (2007 01 26)





Erlend Øye e El Perro del Mar

18 12 2006

Em sua apresentação em São Paulo, na última sexta-feira, Erlend Øye tocou de tudo um pouco. Deu até para tocar um trechinho da clássica “Range Life”, do Pavement. E ele ainda discotecou, dançou…

Muita gente acha o cara um mala. De fato, alguns indícios de chatice estão presentes: minimalismo levado às últimas consequências, voz e violão baixinhos, composições ultra-delicadas, insistentes pedidos de silêncio à platéia. A questão é que as canções do Kings of Convenience têm qualidade indiscutível, e mesmo os outros projetos do norueguês são redondos. Basta escutar - em disco, de preferência - “Know How” ou “Toxic Girl” para entender porque havia alguma coisa de especial em meio àquela presepada.

Assista: Erlend Øye - Burning (Whitest Boy Alive) @ Studio SP (2006 12 15)


Quanto ao show da Perro del Mar no Sesc Vila Mariana, uma palavra basta: irretocável. Som e clima perfeitos para que Sarah executasse quase todas as músicas de seu disco homônimo de estréia. Para quem ainda não a ouviu, a sueca soa como uma mistura de Nico e Joanna Newsom. Tudo com muito bom gosto, sem pedantismo e com produção impecável.

Assista: El Perro del Mar - I Can’t Talk About It @ Sesc Vila Mariana (2006 12 16)





Jens Lekman em São Paulo

14 12 2006

Depois do post do Klaus é desnecessário escrever sobre o show do Lekman em São Paulo. Basta ver o video abaixo para entender o porquê da fila absurda que se formou na porta do Studio SP, deixando muita gente de fora de uma noite inesquecível.

Assista: Jens Lekman - Pocketful of Money @ Studio SP (2006 12 13)


O Erlend Øye fez um pocket show nos moldes do que havia feito dois dias antes, em Curitiba. Amanhã ele se apresenta de novo no Studio SP, desta vez como a atração principal.

Assista: Erlend Øye - Homesick @ Studio SP (2006 12 13)





Happy Birthday, Curitiba

13 12 2006

O primeiro show da grande Invasão Sueca promovida pelo pessoal do Coquetel Molotov começou com a apresentação de um norueguês. Erlend Øye subiu no palco em meio a muitos murmúrios, e assim como no Tim Festival do ano passado parecia um pouco desapontado com o público. Abriu o show com “Cayman Islands”. Tocou também “Toxic Girl” (com direito à ajuda de um camarada da platéia), uma música do seu álbum solo, um cover de Smiths e “Above You”, do Whitest Boy Alive. Um show curto e um tanto morno.

Erlend Øye @ Era Só o Que Faltava (2006 12 11)

Sarah Assbring e seu Perro del Mar foram os próximos. A sueca mostrou um misto de alegria e nervosismo ao entrar no palco e ver uma parte da platéia cantando junto várias músicas do seu disco. As favoritas “Candy” e “Party” abriram a apresentação, seguidas por “God Knows (You Gotta Give to Get)” e “Dog”, que contou com o backing vocal de Jens Lekman e foi o ponto alto da apresentação. Depois, “I’m Coming Down The Hill”, “This Loneliness” e “I Can’t Talk About It”, até que Sarah anuncia que tem que deixar o palco para a próxima atração, finalizando com uma canção que resume o seu trabalho, centrado em mantras propositalmente repetitivos:

“A boy, A boy, A boy, A boy, A boy, A boy, A boy, A boy,
A girl, A girl, A girl, A girl, A girl, A girl, A girl, A girl,
Hello, Hello, Hello, Hello, Hello, Hello, Hello, Hello,
Goodbye, Goodbye, Goodbye, Goodbye, Goodbye, Goodbye, Goodbye, Goodbye.”

El Perro Del Mar @ Era Só o Que Faltava (2006 12 11)

Assista: El Perro Del Mar - “God Knows” @ Era Só o Que Faltava 2006 12 11



Jens Lekman entrou no palco com um sorriso no rosto, que só seria abandonado cerca de 45 minutos depois. Conversando mais tarde com o cara, perguntei: “Você esperava essa reação do público ao receber o convite para vir cantar no Brasil?”. Ele respondeu: “Se houvesse duas pessoas na platéia, eu já estaria satisfeito”.

A primeira música do set foi um cover, “Your Beat Kicks Back Like Death”, da Scout Niblett:

“We’re all gonna die, we’re all gonna die
We don’t know when, we don’t know how”

Após repetir a letra algumas vezes, Lekman soa o apito que portava em um cordão ao redor do pescoço, e sua banda emenda os primeiros acordes de “Happy Birthday, Dear Friend Lisa”.

“Happy Birthday, Curitiba.”
“When is Curitiba’s birthday?”
(silêncio na platéia)
“Well, I think it is today, then..”

Colaboramos com palmas, e depois com alguns versos em “A Sweet Summer’s Night On Hammer Hill”. Em “The Opposite of Hallelujah” Erlend Øye voltou para o “palco”.

Assista: Jens Lekman - “The Opposite of Hallelujah” @ Era Só o Que Faltava 2006 12 11


Seguiram então “Black Cab” e “Pocketful of Money”, até que Lekman se despediu de parte de seus músicos para tocar “You Are the Light” e a clássica “Maple Leaves”.

Assista: Jens Lekman - “You Are the Light” @ Era Só o Que Faltava 2006 12 11


Assista: Jens Lekman - “Maple Leaves” @ Era Só o Que Faltava 2006 12 11



Finalmente sozinho no palco, Jens colocou a postos a sua viola e pediu silêncio à platéia, que prontamente o atendeu. Começou então a dedilhar o que seria a última música de seu show. “Julie” foi cantada sem microfones, com a ajuda da público. Era o final perfeito.

Jens Lekman @ Era Só o Que Faltava (2006 12 11)

Restou ao Hell on Wheels, com a responsabilidade de quem abriu para o Teenage Fanclub no Curitiba Pop Festival de 2004, fechar uma noite que, para boa parte dos presentes, não será esquecida tão cedo.

Hell On Wheels @ Era Só o Que Faltava (2006 12 11)

*grande parte das fotos e vídeos cedidas pelo amigo Marcos Ricardo.




Pelvs + Blue Afternoon (fotos e videos)

5 12 2006

Pelvs @ Inferno (SP)

Pelvs - “Keep Your Music Away” (Ao vivo @ Inferno 2006 12 01)


Blue Afternoon @ Obra (BH)

Blue Afternoon - “One” (Ao vivo @ Obra 2006 12 02) *


* por João Torres

Set pós-show: clique aqui.




Nokia Trends - Warm up

19 11 2006

Com a proximidade do Nokia Trends (que acontece em São Paulo no próximo sábado, dia 25/11, na Arena Skol Anhembi), achei que seria uma boa fazer um post rápido sobre alguma das principais atrações.

Comecemos pelos nova-iorquinos do We are Scientists, que estão na crista da onda. Vi um show deles, há alguns meses, abrindo para o Art Brut, em NYC. O trio, que por enquanto só tem um full-length (With Love and Squalor), não vai exatamente revolucionar o rock, mas faz um show competente. Foi lançada agora uma coletânea (Crap Attack) com todos os videos da banda e alguns lados B, que traz alguns covers interessantes, como uma versão para “Be My Baby”, das Ronettes.

Site oficial: www.wearescientists.com
YouTube: Nobody Move, Nobody Gets Hurt (ao vivo no Late Show)

O Hot Hot Heat, que vem do Canadá, já é velho conhecido de frequentadores das festas de rock espalhadas pelo país. Faixas como “Bandages” e “No, Not Now” são hits em pistas mineiras, cariocas e paulistas. Música fácil, despretensiosa e divertida - tem tudo para ser um show bacana.

Site oficial: www.hothotheat.com
YouTube: Bandages, No, Not Now

O grande destaque do festival é a presença do Ladytron, que virou mania desde o lançamento do primeiro EP (Commodore Rock, em 2000). Desde então a banda já lançou três bons trabalhos de estúdio, além de alguns singles clássicos, como “Playgirl” e “Seventeen”.

Site oficial: www.ladytron.com
YouTube: Seventeen, Destroy Everything You Touch

O Bravery não me comove, mas anima a molecada na pista com canções como “An Honest Mistake” e “Fearless”, o que justifica a presença deles no line-up.

Site oficial: www.thebravery.com
YouTube: An Honest Mistake, Fearless

Os belgas do Soulwax voltam ao Brasil, trazendo o 2 Many DJs na bagagem (ou seria o contrário?). Vai ser divertido, sempre é.

Site oficial: www.soulwax.com
YouTube: E-Talking

Por fim, o pessoal do Digitaria, amigos de Belo Horizonte que ganharam a admiração do grande DJ Hell, da International DJ Gigolos, e depois o mundo. Música de relevância mundial sendo feita no Brasil, coisa sabidamente rara.

Site oficial: www.digitariamusic.com.br
YouTube: Kinetic (Live at Eletronika 2004)

É isso, além de uma penca de DJs, como Dominik Eulberg e James Holden. Com alguma sorte coloco umas fotos e videos do festival aqui, na próxima semana.




Joe Lally @ Sesc Pompéia

16 11 2006

O Evens, cujo bom segundo disco saiu há algumas semanas, já não é o único projeto oriundo do Fugazi (que não terminou, mas está inativo desde 2001). O baixista Joe Lally lançou recentemente o seu primeiro disco, There to Here, e fez ontem um bom show no Sesc Pompéia, em São Paulo. O disco, aliás, é interessante, descontando o excesso de engajamento em alguns momentos, como em “Sons and Daughters” (faixa a capella anti-guerra).

Quem perdeu o show terá pelo menos mais uma oportunidade, no próximo sábado, no Belfiore.

Fotos:

Não fiz videos, mas achei no YouTube um bacana de “The Resigned”, segunda faixa do disco:





Tim Festival 2006

30 10 2006

Este site já cobriu Tim Festivals melhores, em termos de programação. O que não significa dizer que o evento em São Paulo tenha sido ruim, a começar pela dádiva que foi a transferência do Anhembi para o Tom Brasil. O som não estava muito bom, mas certamente estaria ainda pior no local originalmente planejado para os shows. A organização, no mais, foi boa.

Acabei perdendo o Mombojó. O TV on the Radio conseguiu ser ainda melhor que o esperado. Showzaço. Tocaram “Dreams”, “Staring at the Sun”, “Wolf Like Me”, ao menos uma inédita… Trata-se mesmo de uma banda única, que merece cada uma das boas resenhas que vem recebendo no mundo todo.

Assista: TV on the Radio - Dreams (ao vivo no Tim Festival 2006)


Quanto ao resto… O show do Thievery Corporation foi uma salada de idéias e estilos. Chato, dentro da expectativa. O Yeah Yeah Yeahs fez tudo o que se esperava da banda. Ou seja, um show sujo, cru e animado pela agitação da Karen O, que tem mesmo uma presença de palco incrível. Teve “Date with the Night”, “Maps”, “Y Control”… Não teve “Way Out”.

Ao Daft Punk coube fechar a noite. A pirotecnia trazida para o Brasil foi comparável ao show da banda que vi em maio, no Coachella. No cheap stuff. Achei que uma parte considerável do público arredaria o pé antes do fim, temendo a segunda-feira braba. Engano meu, pois ficou claro que a grande maioria das pessoas estava lá para ver os franceses transformarem o Tom Brasil em uma boate gigante. Naquele momento, se lia sem muita dificuldade na cara das pessoas que, apesar dos pesares, estavam justificados os salgados R$180 por um ingresso.

Fotos:





Rapidinhas

30 10 2006

* A amiga Renata Dias mandou duas ótimas dicas. Primeiro, um link no YouTube com o Erlend Øye tocando Tram #7 to Heaven, pérola do Jens Lekman (prometo evitar falar nesses dois no futuro próximo). Segundo, um link para os Concerts à emporter, do Blog francês La Blogothèque: filmagens de Spinto Band, Okkervil River, Casiotone for the Painfully Alone, Islands, Divine Comedy, Hidden Cameras e outros tocando suas próprias músicas no meio da rua, com som ambiente, sem firulas. Mais DIY, só isso.

* Decepcionante este Do It Again: A Tribute To Pet Sounds, que saiu pela Houston Party Records. Incrível como parecia não poder dar errado - 13 boas bandas interpretando o Pet Sounds na íntegra -, mas deu. Até os casamentos mais promissores, de Daniel Johnston com “God Only Knows” e dos irmãos Oldham com “Wouldn’t It Be Nice”, resultaram em versões medíocres.

* Mais tarde vou postar umas fotos e videos da edição paulista do Tim 2006, que aconteceu ontem.




Herman Düne

23 10 2006

Pouco antes de sair do ar este site puxava o saco de Not on Top (2005), então último disco do Herman Düne. A banda é composta por dois suecos, um suíço e alguns colaboradores, como a canadense Julie Doiron (ex-Eric’s Trip). Eles utilizam instrumentação simples e desplugada em canções que, com raízes no folk (ou no chamado anti-folk), contam histórias inteligentes e bem humoradas.

Em Giant (2006), mais novo trabalho do grupo, a fórmula não mudou uma vírgula. O disco é menos consistente que o anterior, e parece perder o fôlego na segunda metade de suas 16 faixas. Ainda assim, o resultado é sólido, e há alguns ótimos singles, como “I Wish That I Could See You Soon”, “Glory of Old” e “1-2-3-Apple-Tree”. Esta última é um bom exemplo da facilidade dos suecos com as palavras:

If you worship Jesus / when I am a jew
Then you will know how bad / I like to be with you
And you know how people shorten other people’s names / To show their affection
Like if you call me Ray / If my name was Raymond
Well, your name ain’t Susan / but I would call you Sue
To show you how bad / I like to be with you

Assista: “I Wish That I Could See You Soon”


Os caras do HD também têm uma quantidade assombrosa de projetos paralelos. Em um deles, o vocalista/guitarrista André Herman Düne se juntou à cantora francesa Clémence Freschard para lançar Kreuzberg Café (2006), um bom disco de covers de Nick Cave, Leonard Cohen e Will Oldham, que fica aqui recomendado.

Escute: “André Herman Düne & Clémence Freschard: Breathless (Nick Cave)”